Scout Report: o melhor QB disponível no Draft se chama Josh Rosen

 

A offseason entre as temporadas de 2016 e 2017 foi de muita pressão em cima de Jared Goff. A primeira escolha geral do Draft no ano anterior custou a ter uma oportunidade como titular e quando pisou no campo não passou nem perto da performance que se espera da 1st overall pick. Essas críticas eram ainda mais pesadas pelo fato de Carson Wentz, selecionado logo em seguida pelo Philadelphia Eagles, ter apresentado um futebol americano muito melhor. Os dois anos seguintes nos provaram que era cedo para desistir de Goff, que deu grandes saltos de qualidade em cada um deles.

Hoje Josh Rosen vive uma situação parecida. O quarterback do Arizona Cardinals não teve uma boa temporada de calouro, muito prejudicado pelos problemas ao seu redor, e ao que tudo indica não deverá seguir na equipe, que dá todos os indícios de estar apaixonada por Kyler Murray, a provável 1ª escolha geral do Draft de 2019. Murray no papel se adapta muito melhor ao esquema tático de Kliff Kingsbury, o novo head coach dos Cardinals, e isso convenceu a franquia de que é melhor abandonar o projeto Rosen após apenas um ano. Salvo uma grande surpresa no dia do Draft, o segundoanista estará em outro time.

O que deu errado na primeira temporada de Josh Rosen? Acontece com muita frequência quarterbacks selecionados no 1st round refugarem e não se tornarem bons jogadores na NFL. Para ir atrás de respostas me dei a tarefa de assistir novamente aos jogos do Arizona Cardinals. Foi o mesmo exercício que fiz em 2017, destrinchando todas as partidas de Jared Goff no seu ano de rookie. Com Goff minha conclusão é que não dava para condená-lo ao rótulo de bust, o que certamente se provou correto nas suas últimas duas temporadas. É esse o caso de Rosen?

 

Goff foi mal como rookie e se recuperou. Será que Rosen seguirá o mesmo caminho?

 

As comparações com Goff são inevitáveis, por tanto começo com uma impressão que tive ao comparar o que observei hoje com as minhas anotações de dois anos atrás: o nível de talento ao redor de Josh Rosen era ainda pior do que os dos Rams em 2016. E não só os jogadores, o mesmo pode ser dito do playcalling. Ambos péssimos, mas em Arizona a situação era ainda pior, tanto que houve uma mudança de coordenador ofensivo ao longo do ano. Mike McCoy foi demitido e Byron Leftwich foi promovido, o que não faz muita diferença.

O Arizona Cardinals em 2018 corria com a bola em quase toda primeira descida. Atrás da pior linha ofensiva da NFL na temporada (segundo o Pro Football Focus), é fácil de prever que isso colocava o time em situações de segunda e terceiras longas com frequência. As estatísticas mostram que é muito mais eficiente utilizar o passe no first down, principalmente chamadas com índice de acerto alto, ao invés da mentalidade retrógrada de “vamos estabelecer o jogo terrestre”.

A segunda parte da sabotagem da temporada de rookie foi o grupo de recebedores. Com a exceção de Larry Fitzgerald, que nessa altura da carreira é um jogador para passes curtos apenas, nenhum dos wide receivers do Arizona Cardinals ajudava Josh Rosen. O playcalling era péssimo e os skill positions raramente faziam jogadas positivas. É impossível ter sucesso dessa forma. Arizona foi o quarto time que menos passou a bola e mesmo assim apareceu exatamente na metade do ranking das 32 equipes no quesito drops. Foram muitas jogadas assim:

 

Tudo jogou contra Josh Rosen. Pior linha ofensiva da NFL, grupo de skill positions fraquíssimo, playcalling incompetente. Por isso tudo absolvo Josh Rosen de tudo que aconteceu em 2018. Quando analisei os quarterbacks do último Draft, Rosen foi o meu favorito. Claramente foi um erro da minha parte, Baker Mayfield obviamente é muito superior. Ao assisti-lo novamente, no entanto, nada me faz mudar minha opinião de que ele pode ser um excelente QB na NFL. Não vejo um MVP no seu futuro, mas um cara que pode ser por volta do 10º ao 12º melhor de sua posição na Liga, o que é valiosíssimo.

Seu tape de 2018 tem passes como esse, em que ele navega a pressão e se livra rapidamente da bola e a coloca no alcance de Larry Fitzgerald:

 

Ou essa bomba para Christian Kirk, mostrando que tem força mais do que suficiente no seu braço:

 

Apesar de defender Jared Goff em 2016, o desempenho dele como rookie foi consideravelmente pior que o de Josh Rosen. Com Goff meu veredito é que não dava para avaliá-lo e que seu ano de novato simplesmente não contava para nada. No caso de Rosen minha opinião é parecida, mas vejo muitos sinais positivos seguindo em frente. A diferença é que ele não terá um Sean McVay para desenvolvê-lo. Ainda assim, o ex-jogador de UCLA continua sendo tão promissor hoje quanto era no ano passado. E para mim isso é muito melhor do que qualquer nome da classe de 2019.

Se eu fosse New York Giants, Washington Redskins, Denver Broncos ou algum time que necessita do quarterback do futuro, não hesitaria em pagar uma escolha de primeira rodada por Josh Rosen. É uma opção muito melhor do que usá-la em um cara como Dwayne Haskins, Drew Lock ou Daniel Jones. Se consegui-lo por menos, como uma segunda rodada como vem sendo especulado, melhor ainda. E se esse for o preço mesmo, todos os 31 times da NFL deveriam tentar adquiri-lo, porque é um preço irrisório. Rosen é o melhor QB disponível no Draft de 2019.

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