OPINIÃO: Browns não confia no processo e tira as esperanças da torcida mais uma vez

Lá vamos nós novamente. Assim como a Copa do Mundo acontece de quatro em quatro anos, a reformulação do comando do Cleveland Browns também é um evento com periodicidade garantida, de dois em dois anos estamos aqui noticiando mudanças nos Browns. A equipe anunciou nesta quinta-feira que Sashi Brown não será mais o VP de Football Operations, que em uma tradução literal seria Vice-Presidente de Futebol Americano. Basicamente é o cara que manda em tudo relacionado ao time esportivamente, um General Manager com algumas responsabilidades a mais. Concordo com essa decisão? Não. Dá para condenador Jimmy Haslam por isso? Também não. Agora, na mesma nota, veio a verdadeira surpresa: não só Hue Jackson não foi demitido, mas como teve sua permanência como Head Coach em 2018 garantida. É a hora de ir pichar ‘Acobou a Pas’ no CT, torcedor.

Vamos começar pelo lado de Sashi Brown. A comparação fácil de se fazer é com Sam Hinkie, GM do Philadelphia 76ers que comandou no time da NBA o trabalho de ‘tanking’ mais famoso e controverso da história dos esportes americanos. Depois de anos sofrendo, Hinkie acabou demitido, mas agora os torcedores dos Sixers o veneram porque o seu trabalho deu ao elenco duas superestrelas, Joel Embiid e Ben Simmons. Não acho que Brown mereça o mesmo crédito, porque o equivalente de conseguir um Embiid ou Simmons na NFL seria achar um QB e ele claramente não conseguiu. E também é um paralelo injusto, porque um jogador sozinho, com exceção de um quarterback, não tem o mesmo impacto no futebol americano do que no basquete. A mesma estratégia que funcionou na National Basketball Association claramente não serve para a National Football League.

A demissão de Sashi Brown é defensável. Ele deixou de draftar Carson Wentz e Deshaun Watson, isso sempre pesaria nas costas dele e na de qualquer quarterback que fosse draftado pelo executivo. Mas se olharmos além da posição de QB, o histórico dos Drafts dos Browns sob seu comando é positivo. Myles Garrett qualquer um escolheria, mas vamos olhar para Corey Coleman (1ª rodada), Emanuel Ogbah (2ª rodada), Carl Nassib (3ª rodada), Joe Schobert (4ª rodada), Seth DeValve (5ª rodada) e David Njoku (1ª rodada). E ainda teve a aquisição de Jamie Collins por uma escolha de terceira rodada. É mais que a maioria dos times conseguem encontrar em dois anos. Esse retrospecto o faria merecedor de voltar para um terceiro ano.

A permanência de Hue Jackson é o grande erro e é completamente indefensável. Qual o mérito dele como head coach? São nove vitórias em trinta e cinco jogos somando o seu trabalho atual e a passagem pelos Raiders, um triunfo em vinte e oito pelos Browns. O elenco de Cleveland não é acima da média por qualquer medida, mas definitivamente tem talento suficiente para vencer mais que um jogo em dois anos.

Jackson fez um trabalho fantástico em Cincinnati como coordenador ofensivo, por isso foi o nome mais disputado para head coach na penúltima offseason. Mas existem muitos casos de caras que são excepcionais comandando um ataque ou uma defesa, mas não vão bem comandando a comissão técnica inteira. Claramente é o caso do treinador dos Browns. Ele tenta desempenhar a função de coordenador e HC ao mesmo tempo, mas não faz bem nenhuma das duas. Seu grande talento é justamente desenvolver jogadores, mas essa qualidade não é aproveitada na posição que ocupa atualmente. Era hora de trazer um treinador novo.

Dois anos é um tempo considerável, os resultados precisavam ser melhores, mas Sashi Brown e Paul DePodesta mereciam voltar para o ano 3 e tentar mais uma vez achar um quarterback. Com a primeira escolha geral eles poderiam escolher entre Josh Rosen, Sam Darnold, Lamar Jackson, Baker Mayfield ou qualquer outro passador. É justo desconfiar da capacidade deles em selecionar o QB certo? Claro, afinal é o regime que deixou Wentz e Watson passarem. Mas falando em justiça, ninguém achava que os dois seriam tão bons. Brown tem erros (grandes) e acertos no cargo, o mesmo não pode ser dito de Hue Jackson. Mais uma vez Cleveland desviou do plano, olhou para o presente ao invés do futuro e a franquia continua não dando qualquer esperança para os torcedores.
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