OPINIÃO: A Encefalopatia Traumática Crónica pode ser um obstáculo intransponível para a NFL

Encefalopatia Traumática Crónica. Só o nome seria suficiente para colocar medo. Em inglês é abreviada para CTE, três letrinhas assim como NFL. Do mesmo jeito que o acrônimo de National Football League significa muito mais, a doença CTE representa hoje o maior problema do futebol americano. Esqueça as lesões no joelho que tiram o melhor jogador do seu time de campo por um ano ou se os atletas estão se levantando ou não para o hino dos Estados Unidos. Os avanços das pesquisas sobre essa doença degenerativa que ataca o cérebro de jogadores profissionais da bola oval podem representar o começo do fim do reinado da NFL.

A Universidade de Boston é referência no estudo da CTE e nesta quinta-feira divulgou os resultados da análise do cérebro de Aaron Hernandez, ex-Tight End do New England Patriots que cometeu um assassinato e em abril desse ano cometeu suicídio dentro da prisão. A DrªAnn McKee, cientista que lidera essas pesquisas, disse em entrevista que nunca havia sido encontrado um caso tão severo de Encefalopatia Traumática Crônica em alguém tão jovem quanto Hernandez. O ex-jogador estaria no terceiro de quatro graus, o que jamais foi detectado em uma pessoa de menos de 40 anos. E não chega exatamente a ser surpresa, já que ele apresentava todos os sintomas como paranoia, depressão e capacidade de tomar decisões alterada.

Foi detectado grau avançado da CTE no cérebro de Aaron Hernandez

 

Ainda não é possível diagnosticar com 100% de precisão, em vida, se a pessoa sofre dessa doença. Somente após a morte, estudando o cérebro, que é possível dizer conclusivamente se o indivíduo foi vítima ou não de CTE. Recentemente, no entanto, cientistas afirmam estar perto de encontrar uma forma de fazer isso enquanto o paciente ainda está vivo. Os cerca de 1.700 jogadores que estão na Liga atualmente poderiam ser examinados e seria descoberto se possuem a Encefalopatia Traumática Crônica em ou não. É uma caixa de Pandora que certamente a NFL teme que seja aberta e que lutou contra por muito tempo, primeiro negando, depois ignorando o assunto, e em seguida com uma longa luta nos tribunais que acabou em um acordo que pagou mais de 700 milhões de dólares a ex-jogadores.

“É uma caixa de Pandora que certamente a NFL teme que seja aberta e que lutou contra por muito tempo”

Não estou dizendo que a Liga seria proibida de existir de uma hora para outra, isso não vai acontecer. Mas pensem o seguinte: já estamos vendo atletas se aposentando antes do normal por causa do medo de sofrer de uma doença degenerativa. É difícil acreditar que uma melhora no diagnóstico não vá encontrar a CTE em jogadores ativos, apesar de achar que não será nem perto dos números da própria Universidade de Boston que encontrou a doença em 110 de 111 cérebros de ex-jogadores. Acredito que atualmente a Liga é mais segura do que no passado, mas dá para o futebol americano ser 100% seguro no seu atual formato? A resposta provavelmente é não.

Vejo dois caminhos possíveis para o mesmo destino. Ou a Liga vai ser obrigada a fazer mudanças radicais nas regras, mais do que as da última década, e os fãs perderão o interesse. Ou o número de crianças que joga o esporte vai cair drasticamente por causa do medo dos pais e o talento que chega à NFL vai diminuir, e os fãs perderão o interesse. Marcas não vão querer se associar a uma liga que causa uma grave doença degenerativa nos seus atletas e o menino que é bom em todos os esportes no colégio vai escolher basquete, beisebol ou qualquer outra atividade ao invés de seguir no futebol americano. Esses cenários não são apenas meras possibilidades.

Com os riscos do futebol americano ficando cada vez mais conhecidos, será que o número de crianças jogando não cairá?

Seria um processo longo, mas daqui a 30, 40 ou 50 anos a NFL pode não ser mais a líder inquestionável na preferência do público estadunidense. E no livro que inevitavelmente for escrito sobre a queda do futebol americano a Encefalopatia Traumática Crónica não vai ter apenas um capítulo, vai ser o subtítulo e a capa terá a foto de um cérebro. Espero que encontrem uma forma de tornar o futebol americano seguro, não pelo bolso dos 32 bilionários donos de equipe, mas sim pelos jogadores que se apaixonam por esse esporte e nele encontram um jeito de ir para uma faculdade e de seguir uma carreira. Será possível? Espero que sim.

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