FA Hoje conversa com Ian Rapoport, o cara das notícias em primeira mão na NFL!

Se você acompanha as notícias sobre a NFL, você sabe quem é o Ian Rapoport. Ele é um dos principais repórteres dos Estados Unidos na cobertura da Liga e está sempre saindo na frente com as informações mais quentes sobre tudo que rola no futebol americano profissional. Rapoport reservou um tempo na sua agenda ocupada para bater um papo exclusivo com o FA Hoje sobre como é cobrir a NFL e muito mais, confira!

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FA Hoje: Com a sua experiência, o que é necessário para ser um repórter nacional como você, trazendo informações em primeira mão sobre todos os times? 

Ian Rapoport: É uma pergunta difícil, considerando que eu não esperava chegar nessa posição. O mais importante, o que eu me concentro, é em reportar. Eu comecei minha carreira trabalhando em jornal impresso no Mississipi, cobrindo a Universidade do Mississipi e Alabama. Em Boston eu cobri os Patriots para o ‘Boston Herald. Depois disso a ‘NFL Network’ me contratou para ser o repórter regional em Dallas e, cerca de nove meses depois, me transformaram em ‘Insider’. É algo que eu não esperava, mas o principal é que você precisa trabalhar muito e ter muitos contatos, você tem que estar disposto a fazer contatos, o que acho que foi o mais difícil. Ter que conhecer todo mundo que você precisava conhecer para me colocar em uma posição que eu possa dar as notícias.

FA Hoje: Como fica a sua vida em um dia maluco como ontem, que tivemos o anúncio da aposentadoria do Tony Romo? 

Ian Rapoport: Ontem de manhã eu acordei já esperando alguma notícia grande sobre o Tony Romo, foi o que me disseram. Então levantei cedo e comecei a fazer ligações. Não tinha certeza se ele iria se aposentar ou seria dispensado pelo Dallas Cowboys, havia escutado os dois e estava tentando descobrir qual deles iria acontecer e acabou que ambos aconteceram. Eu estava tomando café da manhã com os meus filhos, estava de pijama, comendo e recebi a notícia, então corri, escovei o dente, arrumei o meu cabelo e fui para a frente da câmera pelas próximas 11 horas, sem parar, o que é bastante interessante e maluco, mas é assim que funciona.

FA Hoje: Estando nessa posição há um tempo, você consegue notar quando alguém quer apenas usar a mídia e quando uma informação é verdadeira mesmo? 

Ian Rapoport: Sim. Acho que tudo que recebo é verdade, toda notícia que recebo é verdadeira, de um jeito ou de outro. É só uma questão de entender porque alguém está me passando determinada informação e como ela pode ser diferente da realidade. Por exemplo, se alguém me passar uma notícia para eu dar sobre um contrato de jogador que acabou de ser assinado, as vezes a forma como esses números são noticiados podem ajudar a pessoa que está me dando essa notícia, “Eu te dou essa informação primeiro, mas você tem que publicar dessa forma”. Então você precisa se certificar que a informação é precisa ou então tenho que ir checar com as minhas outras fontes e descobrir uma outra forma de noticiar. De qualquer forma, tem sempre uma razão para alguém te passar uma informação e é importante saber qual é antes de usá-la.

FA Hoje: Com as redes sociais e a pressão para ser o primeiro a dar uma notícia, o quão complicado é certificar-se que sua informação é de fato verdadeiro? Como é esse equilíbrio entre dar o furo de reportagem antes de qualquer um, mas ao mesmo tempo tendo segurança que é verdade? 

Ian Rapoport: Acho que as vezes é mesmo (complicado). É uma das coisas que é realmente duro, existe muita pressão das redes sociais e pressão minha mesmo para ter a notícia antes e colocá-la no Twitter o mais cedo possível, mas você tem que se lembrar constantemente que precisa checar várias vezes, porque depois que você ‘tuíta’ já não tem mais volta.

FA Hoje: Das notícias que você foi o primeiro a reportar na sua carreira, qual é a que você mais se orgulha? 

Ian Rapoport: Para mim a mais importante foi quando eu estava começando como ‘Insider’, estava meio que em período de testes, e basicamente me disseram que a gente ainda não havia dado nenhuma notícia em primeira mão na ‘Black Monday’, segunda-feira após o término da Temporada Regular, dia em que a maior parte dos treinadores são demitidos. Nós queríamos dar uma dessas notícias primeiro, então me coloquei essa missão. Acabei sendo o primeiro a reportar a demissão de Lovie Smith do cargo de head coach dos Bears, que foi uma surpresa na época. Para mim essa foi a maior, porque de um jeito mostrou à ‘NFL Network’ que eu podia fazer essa função de ‘Insider’. Não foi a maior notícia que eu dei, mas foi a mais valiosa.

FA Hoje: Você falou no começo da entrevista sobre ter trabalhado na cobertura de Alabama e do New England Patriots, comandados por Nick Saban e Bill Belichick e que são dois times conhecidos por não deixarem muitas notícias vazarem. Isso te ajudou para desempenhar essa função? 

Ian Rapoport: Acho que uma coisa interessante quando se cobre Alabama e depois os Patriots é que são times bem similares, por causa de Nick Saban e Bill Belichick. Basicamente você precisa encontrar uma forma de conseguir notícias mesmo com essas duas organizações não te dando muito acesso. Então você acaba tendo que usar algumas das mesmas habilidades, basicamente pensando “Já que a organização não vai me dar nada, como vou conseguir?”. Então você encontra outros jeitos de fazer, outras formas de atacar, outras pessoas para conversar e tudo isso, o que me ajudou bastante.

FA Hoje: Como um ex-setorista dos Patriots, como você vê a situação do Jimmy Garoppolo? Você acha que é real a posição da equipe em não querer trocá-lo e só uma grande oferta mudaria isso? 

Ian Rapoport: Eu acho que a posição dos Patriots vem sendo muito clara para mim, eles precisariam ser impressionados com uma grande oferta. Não acho que eles planejam trocá-lo e não querem trocá-lo. Tudo é possível, mas é uma situação que eles o querem como o reserva na próxima temporada, porque nunca se sabe o que pode acontecer com o Tom Brady e eles querem se certificar que estão prontos caso algo aconteça.

FA Hoje: Até aqui no Brasil quando um artigo te cita como o primeiro a reportar uma notícia, isso dá uma credibilidade extra. O quão gratificante é isso, saber que no Mundo inteiro as pessoas sabem que quando você publica algo dá confiar realmente? 

Ian Rapoport: Eu espero que seja isso que aconteça, não dá para saber 100%. Você precisa trabalhar na sua carreira para chegar a um ponto que quando você diz algo, as pessoas sabem que tem significado. Tweets são pequenos, 140 caracteres, mas eles tem bastante peso, o que é bom mas também coloca uma pressão extra porque você precisa estar certo sempre. Se você não estiver, o Mundo inteiro sabe.

FA Hoje: Você percebe um crescimento no interesse pela NFL fora dos Estados Unidos, seja em eventos da liga como o Super Bowl ou até mesmo nas suas redes sociais? 

Ian Rapoport: Definitivamente vejo o interesse crescendo, é inacreditável. No ‘NFL.com’ nós temos um ótimo Podcast dos nossos blogueiros e sei que a popularidade deles fora dos Estados Unidos é incrível. Eu amo isso, já fui a Londres para um jogo, quero muito ir para um no México no ano que vem. Eu realmente adoro esse crescimento internacional, porque futebol americano é ótimo e se você for exposto a ele é difícil não gostar. Eu não viajo para o exterior há algum tempo depois de viajar pelo Mundo após a faculdade, mas tenho curiosidade se tem alguma notoriedade ao redor do planeta.

FA Hoje: Ian, você é um cara muito bem informado. Quando vamos ter um jogo no Brasil? 

Ian Rapoport: Cara… Eu não sei, espero que aconteça. Uma coisa legal sobre a NFL é que eles estão muito abertos à novas ideias e novos lugares, fazer o futebol americano viajar. Não acho que seria maluco (ter um jogo no Brasil), torço para que aconteça, torço mesmo, só não sei uma data definitiva.

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Você pode seguir o Ian Rapoport no Twitter clicando aqui ou acompanhar sua página no Facebook aqui.

Você pode também escutar essa entrevista na íntegra em inglês no player abaixou ou em um dos links

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