FA Hoje conversa com Paulo Antunes sobre crescimento do futebol americano, carreira e muito mais!

Neste 10 de maio o FA Hoje completou dois anos de existência. Chegando perto dessa data, nossa ideia foi fazer uma grande entrevista, tanto para o site quanto o Podcast. Quem seria o nome ideal? Não demorou muito para chegarmos a conclusão de que precisava ser um dos principais responsáveis pela popularidade da NFL no Brasil e quem sem ele o nosso trabalho provavelmente não existiria, Paulo Antunes.

Desde 2006 atuando como comentarista da NFL, foi o trabalho dele junto com o Everaldo Marques o grande percussor de todo esse sucesso do futebol americano no Brasil. Paulo conversou com a gente sobre o trabalho dele na ESPN, o crescimento do esporte no país e muito mais, está imperdível!

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FA Hoje: Já são dez anos na ESPN, qual o balanço que você faz de todo esse tempo na empresa?

Paulo Antunes: São onze na verdade, eu comecei em 2006 então estou indo para a minha 12ª temporada no beisebol e já fiz 11 de futebol americano. Tem sido uma caminhada muito bacana, lembro que em 2006 eu estava buscando um negócio diferente para fazer. Eu trabalhei em uma televisão pequena em Santos, uma afiliada na época da Rede TV, queria ir para São Paulo. A minha pretensão era voltar para os Estados Unidos, mas eu queria trabalhar pelo menos alguns anos em São Paulo antes de voltar e aí surgiu a oportunidade de fazer um teste para ser comentarista na ESPN e mudou tudo. Quando passei, eu falei “agora vou ter que pensar em fazer uma vida no Brasil” e com o crescimento do futebol americano tem sido realmente uma caminhada muito bacana, o crescimento dos programas de esportes americanos lá na ESPN. A gente tinha o “The Book is on the Table”, agora tem o “ESPN League”, o site dando bastante atenção. Tem sido uma caminhada bem bacana para mim

FA Hoje: Frequentemente recebo pedidos de entrevistas por estudantes universitários que querem falar do crescimento do futebol americano no Brasil e normalmente me perguntam da importância do Cairo Santos (kicker brasileiro do Kansas City Chiefs) nessa expansão. Até acho que ajudou, mas sempre respondo que o principal motivo do crescimento da popularidade da NFL é o excelente trabalho que você e o Everaldo (Marques) fazem nas transmissões. Como é se sentir parte desse crescimento?

Paulo Antunes: O Cairo começou recentemente e o futebol americano já estava no modo explosão antes dele começar a caminhada na NFL. Acho que sempre ajuda, com a NFL vindo para cá, fazendo eventos especiais com o Cairo, dando essa atenção aqui no Brasil por causa do brasileiro jogando lá, isso é muito importante para o crescimento futuro e até no presente, mas não foi o motivo da explosão. O interesse é que acho que todo mundo sempre buscou ou busca nos últimos anos uma alternativa ao futebol e acho que o crescimento de esportes de contato, como o MMA que o brasileiro se interessou, eu acho que o futebol americano caiu na graça do povo realmente. E a gente vê que é um jogo muito inteligente, tem jogadas incríveis, então cada temporada que passou o pessoal foi se interessando cada vez mais. Eu li uma matéria recentemente que o futebol americano tem um interesse de perto de 15 milhões de brasileiros, que o negócio cresce cada vez mais, a gente vê ligas nacionais, o futebol americano presente basicamente em todos os estados do Brasil, teve a Superliga que estreou no ano passado que foi um sucesso, a Confederação Brasileira de Futebol Americano fazendo um bom trabalho. A gente junta tudo isso e vemos realmente uma verdadeira explosão.

FA Hoje: Você esperava que ia crescer tão rápido quanto cresceu?

Paulo Antunes: Putz, não. Sinceramente, quando comecei em 2006 eu enxergava aquilo como uma oportunidade profissional para mim. Eu via que tinha interesse no Brasil, mas como comecei no beisebol achei que ia ter o mesmo interesse, o mesmo nível. Tinha uma galera interessada no beisebol quando fiz a minha primeira temporada lá em 2006, mas aí quando acabou a temporada da MLB e comecei a fazer o futebol americano, eu vi que já ia para outro nível o interesse por ele. Depois a cada ano que passou virou realmente um bicho de sete cabeças. Lembro que no início, em 2006, tinha uma ou duas ligas de Flag Football e não tinha muita coisa, não tinha futebol americano com equipamento, tinha o de praia. Hoje a gente vê a ligas organizadas, arenas lotadas… ouvi falar de jogos com mais de 15 mil torcedores, admito que nunca esperava isso.

FA Hoje: Hoje no Brasil já temos um público bem grande de pessoas que acompanham o esporte há algum tempo, que entendem de verdade, e ao mesmo tempo não param de surgir novos fãs. Como que é pra você fazer esse equilíbrio nas transmissões, entre trazer aquela análise mais avançada mas ao mesmo tempo de forma didática para quem é novo possa entender o futebol americano?

Paulo Antunes: Nesse aspecto o Everaldo e eu nos completamos bem. De vez em quando eu tento explicar, tento ser o mais didático possível quando falo sobre algo muito específico. Se eu não fizer, o Everaldo vai lá e faz. Então se ele nota que tem um negócio mais complicado, ele explica. De vez em quando até quando ele fala uma coisa, eu tento complementar fazendo uma explicação. Acho que é muito natural, espontâneo, orgânico, não é uma forçação de barra quanto a isso. A gente se complementa bem nesse aspecto

FA Hoje: Nesses dez anos, o que você acha que mais mudou nas suas transmissões com o Everaldo?

Paulo Antunes: O futebol americano é um jogo extremamente complexo, então tem sempre coisas novas para a gente aprender, apreciar, então acho que é isso. Cada vez mais conhecimento do jogo. A gente tem uma bagagem grande, porque estamos lá há tantos anos, então conhecemos cada vez mais os jogadores, as tendências. Por isso vai ficando cada vez mais fácil para fazer as transmissões com cada vez mais eficiência. Se eu tivesse que apontar uma coisa seria isso.

FA Hoje: Recentemente o Esporte Interativo aumentando o espaço em sua grade para a NFL, até com a transmissão do Super Bowl. Como você vê essa “concorrência” digamos para a ESPN? Ajuda a aumentar o nível de exposição do esporte no Brasil?

Paulo Antunes: Assim, eu sei que existe o Esporte Interativo, acho bacana que tenham vários canais que mostrem futebol americano. Sei que tem aquela coisa de competir, querer que tudo vá para a ESPN, entendo esse lado. Obviamente sou funcionário da ESPN, então a gente tenta se destacar o máximo possível no mercado e ser o número 1, mas para o crescimento do futebol americano e para os fãs é ótimo. Lembro que quando eu morava nos Estados Unidos, o canal de esportes realmente era a ESPN lá, tinha o Sportscenter que a gente assistia, mas aí quando surgiram novos canais e a Internet aí que ficou muito mais fácil acompanhar todos os esportes no dia a dia. Acho que é importante para o crescimento do esporte ter vários veículos de comunicação atendendo as necessidades do público.

FA Hoje: No que a cobertura da NFL no Brasil ainda precisa melhorar, não digo nem as transmissões mas os sites, tantos os de veículos grandes quanto os independentes, o que você acha que ainda falta aqui?

Paulo Antunes: Eu tava pensando nisso. Acho que falta um pouquinho mais de divulgação mesmo. Vejo que tem alguns sites, vejo no Facebook que os estádios estão lotados, mas eu gostaria por exemplo de estar mais envolvido com o futebol americano, de receber mais releases de campeonatos, jogos, de uma comunicação mais próxima com os responsáveis pelas Ligas e acho que isso falta um pouquinho. Porque a gente adoraria de repente ter mais espaço para o futebol americano no Brasil na ESPN por exemplo.

FA Hoje: Na sua opinião, até onde o futebol americano pode chegar no Brasil em termos de popularidade? O futebol da bola redonda é imbatível, mas se pensarmos bem o Brasil não possui um segundo esporte de verdade.

Paulo Antunes: Olha é uma boa pergunta. Hoje a gente tem, por exemplo, ligas organizadas no futebol, vôlei e o basquete. Os três esportes que tem jogadores que vão atuar na Europa, que tem jogadores que atuam na NBA, então o nível desses esportes aqui é muito bom. O nível dessas duas seleções, de vôlei e basquete, já fizeram campeonatos e tudo mais. São esportes consagrados aqui no Brasil. Já no futebol americano é difícil porque a gente ainda não vê jogadores sendo revelados para o exterior, indo para jogar no College, algo que provocasse matérias de grandes veículos de comunicação aqui sobre brasileiros indo para lá, como teve o Cairo, poderia ter mais. Acho que com o crescimento do esporte aqui, o nível aumentando, jogadores sendo revelados para os Estados Unidos e se destacando em Ligas lá, aí acho que o esporte tem tudo para ser cada vez mais respeitado aqui no Brasil. Acho que é um fator importante, mas é importante ressaltar também que a caminhada dos interessados por futebol americano aqui tem sido algo simplesmente surreal para mim. Criação de sites, de times, importações de material, novas Ligas se organizando, se unindo. O trabalho nesse aspecto está sendo muito bem feito, então isso me traz muito otimismo no crescimento do futebol americano e no nível do esporte e dos jogadores aqui no Brasil.

FA Hoje: Qual o seu esporte favorito?

Paulo Antunes: Para ver, futebol americano. Para jogar, o basquete, que é o esporte que eu mais joguei na minha vida. Eu faço academia aqui em São Paulo e tem uma quadra de basquete que jogo de vez em quando, quando o joelho deixa, mas para jogar sem dúvida. Joguei muito basquete, futebol americano, beisebol, tênis, futebol, era um desportista quando morava nos Estados Unidos e isso ainda está no sangue, quando dá ainda gosto de jogar. Para ver é o futebol americano e também por paixão, porque simpatizo com os Celtics, com o Red Sox, já fui fanático mas não sou mais, mas o Miami Dolphins ainda me incomoda bastante.

FA Hoje: Já que você disse que o que mais gosta de jogar é o basquete, qual é o seu estilo em quadra? Qual jogador profissional você compara o seu jeito de jogar?

Paulo Antunes: Engraçado que quando eu era menino tentava imitar o Reggie Lewis, que faleceu em 1993. Eu era vidrado no jogo dele, do primeiro passo explosivo, o “Fadeway Jumper”. Sempre fui um Shooting Guard, um ala armador que metia a bola de longe. sempre foi o meu estilo. Meu treinador no Highschool me colocava no garrafão porque ele era meio idiota, mas aí é outro papo. Ele era meio burro, então jogava um pouquinho também no garrafão. Mas se tiver que pensar em jogador profissional, um “slasher” que vai para a cesta e consegue arremessar de longe…

FA Hoje: CJ McCollum (Guard do Portland Trailblazer)?

Paulo Antunes: Não porque ele bate bola melhor que eu. Damian Lillard porque aí é muito exagero da minha parte, muita arrogância e prepotência da minha parte. Tinha que ser um cara assim, putz não sei… um Kyle Korver não porque ele não vai para a cesta e arremessa muito melhor que eu. Tem que ser um cara que vai para a cesta, que arremessa meia distância e de vez em quando mete uma bola de três, esse é o meu jogo.

FA Hoje: Entrando na sua 12ª temporada como comentarista, como você vê o seu futuro? Você se imagina fazendo isso por muito mais tempo, de repente uma mudança. Qual é o futuro do Paulo Antunes? 

Paulo Antunes: A Deus pertence, meu querido (risos). É difícil falar, é difícil. Vou fazer 40 anos, já estou fazendo isso há algum tempo, gosto do que faço. Todo mundo gosta de novos projetos, novos desafios na vida. Não estou falando de de repente abandonar o meu trabalho na ESPN, jamais estou falando disso. De repente podem surgir outras coisas dentro da ESPN, programas novos, de repente mais viagens, não sei. Alguma coisa do tipo seria bem vinda e muito interessante. Mas vamos ver, ver o que acontece nos próximos anos. Tenho contrato com a ESPN hoje e gosto muito de onde trabalho.

FA Hoje: Bem posso falar em nome do público que queremos te ver por muito tempo nas transmissões da NFL. Paulo muito obrigado por conversar com a gente e tudo de bom para você nessa próxima temporada, que infelizmente ainda falta muito. 

Paulo Antunes: É verdade, para mim o tempo até que passar rápido. É interessante porque acaba o Super Bowl, um mês depois a gente já começa a se preparar para o período de free agents. Depois já está chegando o Draft. Acaba o Draft e aí tem a análise do Draft. Quando chega junho aí bate a saudade, mas até a agosto é muito rápido, dois meses apenas e eu to também no dia a dia do beisebol, para mim não passa tão lentamente quanto para o pessoal que só assiste futebol americano. Mas obrigado pela entrevista, sorte para vocês do FA Hoje. Feliz aniversário, sucesso, continue divulgando o esporte aqui no Brasil que vocês fazem parte desse crescimento.
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Escute essa entrevista na íntegra no Podcast FA Hoje, imperdível!

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