Ex-treinador da seleção brasileira conversa com o FA Hoje sobre o esporte no Brasil e muito mais!

Foi um mês de julho que vai ficar para sempre marcado na história do futebol americano brasileiro. No ano passado o Brasil disputou pela primeira vez da Copa do Mundo da modalidade. Sem apoio, com atletas pagando do próprio bolso para participarem, os ‘Onças’ orgulharam a torcida pela sua garra. No nosso Podcast especial de um ano de FA Hoje conversamos com Danilo Muller, que foi o head coach da seleção no Mundial e é um dos pioneiros do país tanto na cobertura da NFL quanto na prática do esporte em terras tupiniquins. Mas não pense que ele compartilha esse sentimento de felicidade só de ter feito parte do torneio.

‘Para nós, técnicos e atletas, a gente não estava com essa mentalidade. A gente até sentiu um pouco de… não é raiva, mas assim, para nós não era importante participar, a gente queria competir mesmo. O participar a gente já tinha garantido muitos meses atrás, a gente queria competir e conquistar resultados. Foi uma experiência sensacional, foram dez dais de um crescimento enorme, de um grupo que passou 10 dias vivendo futebol americano. Estávamos em uma universidade lá, a gente tomava café e depois já ia para a sala de reunião, depois treinávamos, de novo sala de reunião, descanso para os jogadores enquanto a comissão técnica assistia filme tanto nosso quanto dos adversários. Acho que ninguém do nosso grupo havia aprendido mais sobre o esporte do que naqueles dez dias. Se o Campeonato Mundial começasse de novo depois desses dez dias, o nível da seleção seria bem melhor’, contou Danilo.

 

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Viver do esporte no Brasil é muito complicado. Se até no futebol da bola redonda é difícil, que dirá no futebol americano. Segundo Danilo, infelizmente alguns dos costumes negativos dos clubes de futebol estão passando também para a bola oval: os dirigentes que só atrapalham.

‘Eu acredito na competência do novo presidente, da confederação. Acho que ele ainda comete alguns erros na organização do campeonato, acho que podemos dar uma arrumada ainda na primeira divisão do Campeonato Brasileiro, tem times de níveis diferentes ali e também tem dirigentes muito ruins ainda no esporte. Acho que a Confederação está bem, mas tem muito dirigente ruim de time que atrapalha e atrasa o futebol americano há muito tempo. Infelizmente eles continuam. É difícil pensar no crescimento do esporte com essas pessoas no comando’, disse.

A nova presidência da Confederação Brasileira de Futebol Americano assumiu no começo do ano e, infelizmente para Danilo, resolveu fazer mudanças no comando da seleção masculina. Após quatro anos no cargo de head coach, ele deixou o cargo e admitiu ter sido um momento difícil.

‘Cara foi difícil depois de quatro anos de desenvolvimento e de entrega chegar ao fim. A Confederação Brasileira teve uma troca de presidentes no começo do ano, o diretor de futebol colocado lá… a gente nunca se entendeu. A gente nunca conversou e nesse ano, acabando o Mundial, eles decidiram sobre essa troca. Ele não teve coragem de vir falar comigo, deixou na mão do presidente, que ficou sem graça de comunicar para mim essa decisão. Acontece, ninguém gosta de ser mandado embora. Acho que quando você tem esse poder de decisão, você toma. Você quer ficar com alguém ou não quer ficar com tal técnico, isso aí faz parte do líder. Se eles decidiram isso, ótimo, toda sorte para a seleção e estou torcendo do lado de fora’, disse.

 

A entrevista na ÍNTEGRA você confere no Podcast FA Hoje logo abaixo. Qual a principal qualidade do jogador brasileiro? E o pior defeito? Será que um dia será possível viver apenas como jogador de futebol americano profissional no Brasil? Confira isso e muito mais nessa nossa conversa!

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