Abrindo o Playbook – Raiders violaram a Rooney Rule, e agora NFL?

O Oakland Raiders apresentou com pompas o novo head coach da franquia nessa terça-feira, o retorno de Jon Gruden ao ‘Black Hole’. Uma grande história, ex-HC da equipe retornando após sete temporadas como comentarista do Monday Night Football, que promete ser uma das principais da próxima temporada. Ainda existe, no entanto, uma pendência a ser resolvida. A vaga nunca de fato foi aberta à disputa, porque claramente já havia um acordo com Gruden quando Jack Del Rio foi demitido. Sendo assim os Raiders não cumpriram uma regra importantíssima, a Rooney Rule. Em 2003 o Detroit Lions foi multado em 200 mil dólares por isso, por que até agora não ouvimos nada sobre pelo menos uma investigação da Liga?

A Rooney Rule é uma regra criada em 2002 na NFL, sugerida por Dan Rooney (dono dos Steelers que faleceu no ano passado), que obriga os times a entrevistarem pelo menos um candidato de minoria racial para cargos de head coach ou de administração. De 1920 até 2001 existiram apenas sete head coaches de minoria. De 2002 para cá foram 17. Em 80 anos foram sete e, após a criação da regulamentação, foram 17 em 16 anos, tem como sequer debater se é ou não um sucesso?

Agora voltando ao Oakland Raiders. A franquia não agiu com racismo, mas caiu em um ponto cego da Rooney Rule que não tem como ser consertado. Existem casos como esses em que não é aberto um processo para contratar um novo treinador. Jack Del Rio provavelmente só foi demitido porque havia um acordo com Jon Gruden. Como que um time vai cumprir essa regra nessa situação? Não tem como. A versão dos Raiders é que Bobby Johnson, treinador de Tight Ends e que é negro, foi entrevistado e sendo assim o regulamento teria sido obedecido. Mas alguém acredita que Bobby teve uma chance de conquistar cargo? Claro que não. E com certeza essa conversa, se é que aconteceu, veio quando Gruden já havia concordado em assumir a equipe.

Como a ‘Sports Illustrated’ apontou, o Oakland Raiders é uma organização considerada progressiva para os padrões da NFL. Eles contrataram o primeiro head coach negro na história moderna da Liga (Art Shell), tiveram uma mulher como CEO por mais de dez anos (Amy Trask) e contam com um GM negro atualmente (Reggie McKenzie). Por esse histórico, acredito que o certo a ser feito é os Raiders saírem na frente, admitirem que não cumpriram a Rooney Rule citando esse ponto cego e esperarem a punição, mostrando assim que não agiram de má fé. Em 2003 o Detroit Lions pagou 200 mil dólares, então provavelmente seria esse valor corrigido pela inflação. E que esse dinheiro vá para uma ONG que trabalhe pela promoção da igualdade racial.

Esse ‘glitch’ na Matrix existe, mas não tem como e não deve ser consertado. A Rooney Rule é importantíssima e o avanço que ela trouxe em termos de igualdade racial são enormes, então nada que vá enfraquecê-la deve ser sequer considerado.

 

Documentário: Jim & Andy – The Great Beyond

Se você nasceu mais ou menos até 1995,  grandes são as chances de você ter crescido assistindo aos filmes de Jim Carrey. Ace Ventura, o Máskara, O Mentiroso, Debi e Lóide, Todo Poderoso, entre muitos outros. Grandes chances também de, depois que deixou a infância, começou a gostar das obras mais sérias dele, como O Show de Truman e Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças. Carrey era um dos atores mais famosos do Mundo, um dos mais bem pagos, provavelmente o comediante mais famoso que já existiu. O que aconteceu com ele então? Por que sua carreira entrou em declínio?

‘Jim and Andy – The Great Beyond’ é um documentário lançado no final do ano passado no Netflix que mistura imagens da gravação de  ‘The Man on the Moon’, a história de Andy Kaufman (um comediante muito famoso nos Estados Unidos do qual Jim era fã) e uma entrevista feita nos dias atuais, 20 anos depois do filme. As imagens da época seriam um ‘Behind the Scenes’, mas nunca foram lançadas porque são centenas de horas mostrando Jim Carrey completamente insano, perdido dentro de Andy e Tony Cliffton (alter ego de Kaufman). O ator permaneceu durante toda a gravação como o personagem, levando à equipe responsável pelo filme a achar que ele havia perdido a cabeça. Algumas das cenas são inacreditáveis, que nos leva a acreditar que o colapso mental do ator começou ali.

Enquanto as imagens dos bastidores do filme são mostradas, é intercalado trechos de uma entrevista feita com Jim Carrey nos dias atuais em que ele discute a fama, seu crescimento e as dificuldades psicológicas pelas quais passou. O comediante que encantou uma geração talvez não exista mais e é incrível ter esse acesso ao monólogo interno de Carrey. É imperdível, pare tudo que está fazendo e vá assistir!

 

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