Abrindo o Playbook – QB veterano se negando a ajudar novato não é novidade na NFL

O objetivo da Abrindo o Playbook é me dar um espaço para escrever sobre qualquer assunto que eu queira e quem já acompanha a coluna sabe que a utilizo muito para falar de filmes, NBA, vídeo game, livros, enfim, uma grande variedade de tópicos. Hoje o que quero discutir é um fenômeno que definitivamente não é novo, mas que está em evidência na última semana que é: quarterbacks veteranos sendo babacas com rookies.

Para situar quem não está por muito dentro do que vem acontecendo, Ben Roethlisberger disse em entrevista que ficou surpreso ao ver o Pittsburgh Steelers não draftar um jogador que pudesse contribuir imediatamente para o time na terceira rodada, quando o time selecionou Mason Rudolph. E foi além, dizendo que não pretende ajudar no desenvolvimento do jovem QB ‘se ele tiver uma pergunta vou apontar para o playbook’. Escrevi na matéria que isso não era exclusividade de Big Ben e a diferença para outros passadores veteranos era que ele não disfarçava. Poucos dias depois isso foi provado, com Lamar Jackson revelando que Joe Flacco não retornou suas ligações e mensagens de texto.

Para ser um quarterback na NFL você precisa ser um pouco babaca, não tem jeito. É disparada a posição mais importante de qualquer esporte coletivo, o que a transforma no alvo dos holofotes imediatamente desde muito cedo. Alguns são mais outros menos, mas todos tem essa pitada. E isso se manifesta quando um veterano, acostumado a ser o cara há mais de década, vê o seu time selecionando o cara que pode ser o seu substituto. Imagina se isso acontecesse no seu trabalho, sua empresa contrata alguém mais jovem com o intuito de te demitir em algum tempo e colocá-lo no seu cargo. Você aceitaria numa boa e ensinaria tudo sobre a função? É simples entender o comportamento de Big Ben e Flacco.

Em 2016 uma biografia de Brett Favre foi publicada e chamou atenção um trecho que tratava sobre o relacionamento dele com Aaron Rodgers, que nunca foi bom. Favre não foi um mentor para Rodgers e os dois nunca foram amigos. Mesma coisa Joe Montana e Steve Young. De novo, é bem simples de entender como não é fácil aceitar um cara que veio para eventualmente te substituir. A diferença no caso de Ben Roethlisberger é que ele revelou publicamente como será a dinâmica entre ele e Mason Rudolph.

Existem quarterbacks que são excelentes mentores e não hesitam em ajudar os novatos. Normalmente são caras como Josh McCown, que basicamente estendeu sua carreira em uns cinco anos graças a sua reputação de ser uma ótima influência para jovens passadores. O perfil ideal para ajudar um novato é justamente o veterano acostumado à reserva, sendo assim não se sente ameaçado. São muitos os casos assim, normalmente aquele QB que se manteve uma década na NFL só sentando no banco. Acredite, eles são valiosos.

Ajudaria se Ben Roethlisberger tivesse recebido Mason Rudolph melhor e reconhecesse que sua carreira está chegando ao fim, sendo assim benéfico para a organização ajudar no desenvolvimento de um possível substituto? Sem dúvida, mas não é o fim do mundo para o jovem QB cair em Pittsburgh. Mesmo que não diretamente, ele terá tempo para sentar no banco e acompanhar de perto o que Roethlisberger faz para se preparar e isso será muito positivo para o seu crescimento. É só guardar suas perguntas para os treinadores e à noite sonhe com o dia que os Steelers irão dispensar Big Ben para te colocar como titular.

 

 

Filme: A Grande Jogada (Molly’s Game, título em inglês)

 

Molly’s Game conta a história real de Molly Bloom, a ex-esquiadora olímpica que comandava os jogos de Pôker de alguns dos homens mais ricos e poderosos de Los Angeles e Nova York, faturando muito dinheiro até ser presa. O filme começa justamente quando Molly é presa e dali em diante passa em dois momentos, no passado com a história dos jogos e a batalha legal ao lado de seu advogado.

No seu livro Molly cita alguns nomes, que já haviam sido nomeados no processo, e são caras como Tobey Maguire (que no filme é interpretado por Michael Cera), Leonardo DiCaprio e Ben Affleck. Era realmente a realeza de Hollywood participando dos jogos organizados por ela, antes de ser forçada a abandonar Los Angeles e passar a trabalhar em Nova York.

Aaron Sorkin faz sua estreia como diretor, comandando o roteiro escrito por ele. Jessica Chastain brilha interpretando Molly Bloom, performance que achei que seria reconhecida com indicação ao Oscar, mas acabou esnobada (foi um ano bem disputado para atrizes). É uma história muito imersiva, que me fez sair do cinema muito curioso para explorar a história mais a fundo.

Comments

comments