Abrindo o Playbook – Não tem tragédia ou vilão, o Brasil perdeu para uma Bélgica igualmente talentosa

Não existe competição mais pesada do que a Copa do Mundo para uma das grandes seleções. Para Brasil, Alemanha e companhia qualquer resultado menor que título é um fracasso. E é um torneio que só acontece de quatro em quatro anos, então a possibilidade de redenção demora muito. Pela quarta edição seguida caímos no meio do caminho, mas não é a hora de apontar os culpados ou jogar tudo no lixo. A seleção brasileira perdeu para uma Bélgica com uma geração tão talentosa quanto a nossa, não tem nenhuma anormalidade ou conspiração.

Essa é a sexta Copa do Mundo que acompanho (1994 eu tinha apenas dois anos) e em todas, com exceção de 2002, houve a necessidade de se apontar um culpado. Foi a convulsão de Ronaldo em 98, o meião de Roberto de Carlos em 2006, Felipe Melo em 2010, o 7 a 1 em 2014 que não dá nem para explicar e agora, em 2018, quem será? Fernandinho é um grande candidato, fez péssima partida, teve o gol contra e ainda carrega o estigma da semifinal contra a Alemanha. Paulinho teve uma Copa do Mundo tenebrosa, quem sabe ele? A verdade é que não tem um vilão. Fizemos um primeiro tempo ruim, o time voltou bem ajustado para o segundo, criou chances, mas não conseguiu empatar. Acontece, é do esporte. Se Brasil e Bélgica se enfrentarem 10 vezes, provavelmente haveria um número igual de vitórias para cada lado, afinal são equipes equilibradas.

Sim, a Bélgica tem uma geração talentosíssima. Entendo que quando algo é repetido muitas vezes a tendência é enjoar e nos fazer discordar, mesmo que seja por irritação e sem lógica. Só que boa parte do público perdeu a medida nisso e passou subestimar muito um grupo belga com grandes estrelas em todos os setores do campo. Hazard fez uma grande partida, Courtois teve sua melhor atuação em toda a Copa e Lukaku destroçou a defesa brasileira nos 45 minutos. Dói saber que teremos que esperar quatro anos por uma nova oportunidade, mas foi um resultado justo.

O Tite não fez uma boa Copa do Mundo. Ele foi perfeito durante toda a preparação, mas errou em insistir com Gabriel Jesus e Paulinho no time titular. Na partida de hoje especificamente o treinador poderia ter ajustado a equipe ainda no primeiro tempo, e não digo necessariamente com alterações. Colocar o Miranda para seguir Lukaku mesmo longe da área matou o ataque da Bélgica, mas o estrago já estava feito.

Acho que dessa vez o público vai saber reconhecer a justiça da derrota, sem querer crucificar ninguém. Vai ter muita gente irritada, mas passa. Espero que Tite permaneça no cargo, não há qualquer motivo para que ele seja demitido. E também torço para que não coloquem o peso da eliminação nas costas de Neymar. O desempenho dele poderia ter sido melhor, mas não foi um desastre. Os dois são as nossas melhores chances de voltar a conquistar a Copa do Mundo de 2022. O Catar é logo ali.
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