Abrindo o Playbook – Melhores filmes, séries e muitas coisas de 2017

Nas próximas semanas teremos muito tempo para discutir quem vai ser o MVP, treinador do ano e os outros prêmios, por isso quero aproveitar a última semana do ano para distribuir troféus para as coisas que mais gostei em 2017. As categorias são as seguintes:

 

 Filmes favoritos 

 Momento Esportivo Favorito

 Atletas Favoritos 

 Ator e Atriz favoritos

 Livro Favorito

 Série Favorita

 Podcast Favorito

 

Vamos começar pelos meus filmes favoritos. Você vai notar que existem alguns que não são de 2017, mas estão presentes por que os assisti pela primeira vez esse ano. Inicialmente iria fazer apenas um top 10, mas ficaram muitos bons de fora então resolvi expandir para top 20.

Menções Honrosas

Homem Aranha: Homecoming
Não é o melhor filme solo do Homem Aranha, mas é o melhor Homem Aranha. Tom Holand tem a idade perfeita e capturou muito bem o humor e os conflitos internos do personagem.

O Filme da Minha Vida
É a obrigação de quem gosta de cinema apoiar filmes brasileiros que não sejam comédias por atores da Globo e/ou Multishow. O Filme da Minha Vida não é perfeito, mas é uma tentativa honesta de contar uma história que lida com sentimentos de perda, abandono e amor. Destaque é Bruna Linzmeyer, talentosíssima e que brilha no surpreendente pouco tempo de tela.

“Destaque é Bruna Linzmeyer, talentosíssima e que brilha no surpreendente pouco tempo de tela”

War for the Planet of the Apes
A nova trilogia do Planeta dos Macacos é subestimada, talvez por se preocupar em ter uma substância e não ser apenas um espetáculo de ação e efeitos especiais. A conclusão dessa sequência de três filmes é muito forte e pode render uma indicação ao Oscar de melhor ator a Andy Serkis, que interpreta o macaco Cesar usando roupa de captura de movimentos.

 

Agora vamos à lista em si:

20 – They Came Together
Sou um grande fã da Amy Poehler e acabei tropeçando nesse filme enquanto andava pelo Netflix e não acredito como não fez mais sucesso. Com Poehler e Paul Rudd estrelando, They Came Together é uma sátira das comédias românticas, tirando sarro de todos os clichês desse gênero. Uma das melhores comédias que vi em muito tempo.

19 – John Wick 2
John Wick 1 foi uma grata surpresa e o 2 foi uma continuação perfeita, pegando o que deu certo no original e expandindo ainda mais. Keanu Reeves brilha como John Wick, o assassino aposentado que é forçado a voltar à ativa para pagar uma dívida. Nessa sequência mergulhamos mais profundamente no mundo dos assassinos de aluguel e as cenas de ação continuam no mesmo nível altíssimo do primeiro.

18 – Blade Runner 2049
Blade Runner 2049 não foi um sucesso de bilheteria e pra mim o principal problema foi o marketing. Não é um blockbuster de ação, muito longe disso, mas um filme reflexivo, profundo e sem muitas (ou nenhuma) cenas de ação. Poderia estar mais para cima não fosse o final, que odiei.

17 – Mulher Maravilha
Esse é difícil, muito difícil. A primeira vez que vi Mulher Maravilha tive certeza que era um dos melhores filmes de super herói de todos os tempos e o seu impacto cultural é gigantesco, importantíssimo. Apesar disso, cada vez que o revi (duas vezes) gostei bem menos e não dá para ignorar que o terceiro ato é péssimo. A luta contra o Áries não foi bem feita e trata-se de um vilão completamente esquecível, algo comum para o gênero.

“(Blade Runner 2049) Não é um blockbuster de ação, muito longe disso, mas um filme reflexivo”

16 – The Battle of the Sexes
Esse filme retrata a famosa partida entre uma tenista mulher, Billy Jean King, e um tenista homem, Robert Riggs. Eu não sabia nada da história, só conhecia a Billy Jean de nome. O jogo citado é o ápice, mas é retratada também a luta de King por melhores condições para o tênis feminino e as dificuldades dela própria em reconhecer e assumir a homossexualidade. Ótima performance de Emma Stone e também de Sarah Silverman.

15 – Paterson
Existem vários filmes que assistam e já saio indicando para os meus amigos porque sei que irão gostar. Paterson é o oposto disso, definitivamente não é para qualquer um. Entendo perfeitamente quem o assista e odeie, porque é um filme que, bem, não acontece nada. Nele acompanhamos uma semana na vida de Paterson, um motorista de ônibus numa cidade pequena de Nova Jersei, que também escreve poesias. Quantas vezes saímos do cinema com a sensação de ter visto algo diferente? Paterson foi uma dessas comigo.

14 – Moonlight
Moonlight mostra a Boyhood que você não precisa de um truque para contar a história de uma pessoa da infância até a idade adulta. Baseado numa história real, Moonlight te obriga a lidar com emoções complexas, algo que não é fácil de alcançar. A cena que Marhershala Ali ensina Chiron a nadar é uma poesia, linda e tocante.

13 – The Meyerowitz Stories
Adam Sandler, Ben Stiller, Elizabeth Marvel e Dustin Hoffman brilham como os Meyerowitz, uma família disfuncional com muitos problemas ignorados que afloram quando o pai dos três irmãos tem um problema de saúde. Não é o melhor filme de Noah Baumbach, de quem sou fã, mas não vou criticá-lo justamente pelo resto da sua filmografia ser espetacular.

“A cena que Marhershala Ali ensina Chiron a nadar é uma poesia, linda e tocante”

12 – Lost in Translation
“Encontros e Desencontos” em português (é por isso que prefiro usar o título original ao invés da adaptação para a nossa língua) é o mais velho dessa lista, mas só o vi em 2017. Conhecido por ser um grande comediante, Bill Murray mostra ter talento também como ator dramático, fazendo excelente uma dupla com a então jovem Scarlett Johansson, dois americanos “presos” em um hotel em Tókio tendo que lidar com a nova realidade de suas vidas.

11 – 20th Century Women
Esse foi um dos mais difíceis de encontrar o lugar certo nessa lista (em parte porque vi logo no começo do ano). 20th Century Women conta a história de uma mãe solteira que, preocupada em criar o filho da forma correta, pede ajuda a duas mulheres para “colocá-lo no caminho certo”. As atuações de Greta Gerwig e Elle Fanning são os verdadeiros destaques.

10 – The Big Sick
The Big Sick é a história real de Kumail Nanjiami e sua esposa, Emily V.Gordon. Os dois, que escreveram o roteiro desse filme, se conheceram, namoraram por um tempo, terminaram e Gordon acaba entrando em coma por conta de uma doença séria, o que obriga Nanjiami a lidar com os pais dela durante esse tempo de hospital. Kumail interpreta a si próprio, enquanto o papel de Emily fica para Zoe Kazan. Apesar de ser uma história pesada, é uma comédia e tem uma leveza muito bonita na forma como encara as diferenças culturais entre uma mulher branca e um homem de família paquistanesa.

9 – Ingrid Goes West
Um filme sobre Instagram é o mais pesado dessa lista. Dizer que é sobre uma rede social é muito simplista, a história é de Ingrid, uma jovem que passou por uma tragédia na sua vida e se torna obcecada pela vida de outras pessoas no Instagram. Desequilibrada, ela se muda para Los Angeles para se aproximar de uma “famosa” que tem a vida, aparentemente, perfeita. Não curto muito isso de Critica Social Foda™ (porque a maioria não é bem feita), mas essa é muito pertinente e importante nos dias atuais.

“Bill Murray mostra ter talento também como ator dramático, fazendo excelente uma dupla com a então jovem Scarlett Johansson”

8 – Sing Street
A história de um garoto que vai estudar em um colégio novo e se apaixona pela garota mais popular, criando uma banda de rock para tentar conquistá-la. Uma trama bem simples, mas trata-se de um filme muito positivo, alegre e sem uma grama cinismo. Impossível não sair sorrindo depois de assisti-lo.

7 – American Hustle
Com um elenco digno de um All Star Game da NBA, contando com Amy Adams, Christian Bale, Jennifer Lawrence e Bradley Cooper, American Hustle conta a história de dois trapaceiros que são descobertos pelo FBI e obrigados a participar de uma operação para pegar políticos corruptos. Adams e Bale estão absolutamente espetaculares nesse filme, que em pouco tempo já se tornou um clássico.

6 – Star Wars: The Last Jedi
Por onde começar? Primeiro, se você não gostou desse filme porque a personagem principal é mulher ou por achar que o Chewbacca virou vegetariano, se jogue do alto do prédio mais alto que encontrar. Como fã de Star Wars gostei bastante de The Last Jedi e é o que mais irei rever nessa lista. É perfeito? Longe disso, tem várias coisas que não gosto, como o humor exagerado em alguns momentos e toda a sequência do Finn e da Rose no planeta cassino. Ainda assim O Último Jedi te surpreende em vários momentos, sai um pouco do convencional e continua construindo na relação (entre duas pessoas, não necessariamente amorosa) entre Kylo Ren e Rey, que é o ponto mais importante dessa nova trilogia. O Ren, a propósito, talvez seja o melhor vilão de Star Wars não chamado Darth Vader, só que muito mais complexo.

5 – Logan
Ao contrário de Mulher Maravilha, gostei ainda mais de Logan quando vi pela segunda vez. Esse filme mostra como existe público para histórias de super herói destinadas a adultos. Hugh Jackman teve uma das melhores atuações em uma produção do gênero, com muita dor e sofrimento estampados em seu rosto.

“É uma história de amor? Não, é uma história de duas pessoas sonhadoras que lutam para conquistar o que tanto amam, dois iguais”

4 – Baby Driver
Tem filme mais cool que Baby Driver? Edgar Wright mostra mais uma vez sua maestria como diretor, pintando cada frame da tela, cada cena sincronizada com uma trilha sonora muito bem escolhida, o que valoriza ainda mais as grandes cenas de perseguição pelas ruas de Atlanta. Num piscar de olhos o filme acabou, com os 113 minutos passando em um ritmo alucinante que te deixam sem fôlego. Ah, e tem o melhor trailer de todos os tempos.

3 – La La Land
Como vocês podem perceber, sou #TeamLaLaLand na controversa premiação do Oscar. É uma história de amor? Não, é uma história de duas pessoas sonhadoras que lutam para conquistar o que tanto amam, dois iguais. Impossível sair do cinema cantando City of Stars e se sentindo um pouco mais esperançoso em relação ao mundo.

2 – Dunkirk
O melhor filme de guerra já feito, que não apela para cenas com vísceras sendo voando da barriga de pobres soldados e sim criando tensão com os perigos que envolvem o combate. Aliás, Dunkirk não fala de uma batalha e sim da tentativa dos soldados britânicos de escapar e retornar para a Inglaterra. Umas das melhores experiências cinematográficas que já tive na minha vida foi ver Dunkirk em uma tela IMAX. É um filme curto, que não te deixa relaxar em nenhum momento e deve leva para casa todos os Oscars técnicos.

1 – The Florida Project
O meu favorito na corrida pelo Oscar esse ano. Vi The Florida Project no festival de cinema do Rio e é até com alguma folga o que mais gostei esse ano. Dirigido por Sean Baker, aquele que ficou famoso por fazer um filme usando iPhones ao invés de câmeras, ele conta a história de Moonee e Halley, mãe e filha que fazem parte de um grupo de pessoas que moram em hotéis baratos nos arredores de Orlando. Uma população invisível, que nunca conseguiu se recuperar da crise imobiliária de 2009 e agora vive nesse limbo.

O foco são as aventuras de três crianças, lideradas por Moonee, que vivem alheias aos perigos e as dificuldades que as cercam. A mãe de Moonee, a jovem Halley, luta para sobreviver mas sem saber direito o jeito certo. Aliás, as duas atrizes, assim como a maioria do elenco, são amadoras e nunca haviam atuado na vida. O único ator de verdade é Willem Dafoe, que brilha no papel de Bobby Hicks, o gerente do hotel que Halley e Moonee vivem. Mesmo relutante, Bobby se vê no papel de pai não só da menina, como também da mãe.

É um filme muito tocante, que mostra uma população real que é ignorada não só nas artes mas como pelo poder público. Brooklynn Prince, que interpreta Moonee, é uma revelação e transborda carisma. Williem Dafoe vem sendo indicado e conquistando muitos prêmios, mas The Florida Project não funcionaria sem Prince.

 

Momento esportivo favorito: Virada dos Patriots contra os Falcons no Super Bowl LI

Quis escrever algo menos óbvio, mas não tem jeito. É a maior virada que já vi em qualquer esporte, não só futebol americano.

 

Atleta favorito: Harry Kane, Tottenham

Melhor centroavante do mundo, um dos dez melhores jogadores do planeta. Não acompanho futebol tão de perto quanto já fiz, mas o Tottenham é exceção. Acho que nem Gareth Bale jogou tão bem com a camisa dos Spurs quanto o Kane.

Atleta Favorito de Futebol Americano: Deshaun Watson, QB – Houston Texans

Atleta Favorito de Basquete: Giannis Antetokounmpo, Milwaukee Bucks

 

Melhor Série de 2017: Master of None (2ª Temporada)

Dirigida, escrita e estrelada por Aziz Ansari, Master of None responde a primeira temporada muito bem sucedida com a segunda ainda melhor. Ansari constrói uma narrativa durante a season 2 que ainda permite que cada episódio tenha vida própria. Genial, sensível e explorando temas importantes, Master of None ainda vai ganhar muitos prêmios, nenhum maior que ser a minha série favorita de 2017.

“Ansari constrói uma narrativa durante a season 2 que ainda permite que cada episódio tenha vida própria”

 

Melhor Cantor(a)/Banda: The Weeknd

Mesmo critério dos filmes nessa categoria. Não acompanho muita música nova e por um acaso acabei escutando The Hills, provavelmente a mais famosa do The Weeknd, e gostei bastante. Uma amiga que gosta dele me fez uma playlist e a escuto direto desde então.

 

Melhor Livro: A História Secreta, Donna Tartt

Foi um bom ano para filmes na vida de Gabriel Martins, o mesmo infelizmente não pode ser dito de livros. Comecei uns quatro e desisti de chegar na 100ª página. Tenho uma regra, eu só me esforço para ler um livro até a página 100, se depois disso ainda tiver que me esforçar desisto. 100 páginas é uma boa marca para se definir se ele vale ou não o seu tempo, certo?

A História Secreta foi uma grata exceção, até o recomendei um tempo atrás aqui nessa coluna. Tem tudo que um bom livro precisa e é um page turner. A história é um jovem que muda da Califórnia para a Costa Leste para estudar em uma universidade e logo fica obcecada por um grupo misterioso de alunos que estuda grego clássico, não se limitando ao idioma mas também realizando rituais aos deuses até que um dá muito errado. Se você pegar esse livro e não gostar, desculpa mas você não gosta de ler.

 

Atriz favorita: Amy Adams (Arrival, Liga da Justiça, American Hustle)

2017 não foi um ano excepcional para os padrões da Amy Adams, que acumula indicações ao Oscar e Globo de Ouro anualmente, mas ela foi a minha atriz favorita do ano. Novamente, não se trata de trabalhos novos que aconteceram a partir do dia 1º de janeiro e sim do meu gosto pessoal. Amy é talentosíssima, versátil e suas performances são cheias de nuance. É possível que ela esteja listada aqui novamente em 2018.

 

Ator favorito: Adam Driver (Star Wars, Paterson, Logan Lucky)

Eu não o conhecia antes de Force Awakens, mas me tornei um grande fã depois de ver outros de seus filmes como While We’re Young, Paterson, Frances Ha e Logan Lucky. É um dos melhores atores trabalhando atualmente e falta pouco para encontrar um papel que vai lhe render reconhecimento nas grandes premiações.

 

 

Podcast Favorito: The Bill Simmons Podcast

Eu fiquei sabendo da existência desse Podcast no final do ano passado, mas não capturou minha atenção até o fim da temporada da NFL. Bill Simmons é um jornalista esportivo muito famoso nos Estados Unidos, trabalhou muitos anos na ESPN (até ser mandado embora por uma polêmica envolvendo Roger Goodell) e foi o criador do 30 for 30. Agora no seu site, The Ringer, Bill continua a mesma linha, misturando esportes e cultura pop. O Podcast é excelente quando discute NFL ou NBA com os analistas do The Ringer, mas também recebe convidados fantásticos, como: Kevin Durant, Steve Kerr, Charlize Theron, Will Ferrell, Ice Cube, Malcolm Gladwell, Steve Nash, Jimmy Kimmel, entre outros. Se você tem um bom inglês vale muito a pena.

 

Bem, é isso, essas foram as minhas coisas favoritas de 2017. Obrigado a todos que acompanharam a Abrindo o Playbook esse ano e também o restante do trabalho da equipe do FA Hoje. 2018 vai ser ainda melhor, espere e verá!

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